Museu de fumaça
Promessas pulverizadas,
deixando vestígios.
Um museu de fumaça.
No labirinto de dubiedade,
o tempo rasteja
à cata de escape, de epílogo,
de desígnio ou até de um reinício.
Se o silêncio se fizer presente,
ainda se poderá ouvir o eco distante dos edifícios desmoronando.
Avisem os cidadãos para que poupem seus gritos e lamentos,
pois há um labor árduo na tarefa de recolher os destroços que restaram.
A energia deve ser economizada;
concentra-se na identificação dos fragmentos,
estes que ainda guardam utilidade,
preservam algum alicerce na reconstrução de um lar.
Mas não cavem:
as fundações liquefeitas não sustentam qualquer premissa.
Aos cidadãos de Tróia, restam apenas os ecos de gemidos,
um lamento que não deve se prolongar.
Considerem o enfado da plateia.
Nostálgico museu de fumaça...
O incognoscível é uma névoa;
assim, o destino se revela recôndito.
Agarre-se a passos firmes e não tropece.
Ou pode navegar por mares de brumas,
um náufrago à deriva, em busca de um porto distante.
Anseio por um acátamo, um abrigo seguro,
por um afeto que transcenda as sombras de um futuro errante.
Ani Lorac.
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